sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
O cargo explosivo
Lotado na Secretaria de Obras, a situação de Paulo parece tranquila. Jeferson Zenker, o secretário, não abre dos serviços do pemedebista. E Henrique disse que não quer saber de discussão partidária, apenas se o homem é competente.
Por enquanto, Paulo fica.
A coluna da semana
Como se podia esperar, a coluna da semana passada suscitou grande polêmica, pois tratei de férias atrasadas de secretários que pensávamos já devidamente recompensados por seus valorosos trabalhos em prol do povo guaibense. Fui cumprimentado e xingado efusivamente durante a semana. Do jeito que vou, está ficando difícil sair para almoçar. Minha caixa de e-mail chegou ao seu apogeu. Recebi milhares e milhares de três e-mails, só que dois eram vírus. Na Câmara, durante a sessão desta semana, o debate foi sobre férias vitaminadas.
Houve uma inevitável estupefação pública diante da revelação. Esta semana alguns fatos novos surgiram no horizonte. Perguntei ao secretário Beto Scalco, que era procurador na época (no mês anterior) se ele ficou sabendo do pagamento. Ele me garantiu que o pagamento sequer passou pelo departamento jurídico. Incrível, não? Também me afirmou que tem dúvidas sobre a legalidade da ação benemérita.
Nos próximos dias dois pedidos de investigação chegarão ao Ministério Público de Guaíba. O que todo mundo quer saber é se os pagamentos, que juntos somam R$ 117 mil, são legais. Se forem, e tomara que sejam, prosseguem sendo estranhos.
André
Quero agradecer ao amigo André (posso chamar assim?) pela gentileza do convite feito todos os anos para este colunista. Este ano pude acompanhar de perto o trabalho da "Estrela do Oriente", que mais uma vez arrastou milhares à Praia da Alegria.
Eu e a Ciça fomos até o Engenho, onde fomos recebidos de maneira generosa, com a elegância peculiar que é comum no André e na sua família. Ficamos contentes pela homenagem recebida e por termos ido ao evento pela primeira vez, depois de tantos convites. Espero ser convidado outras vezes e também ser mais assíduo.
Não sou homem de religião, mas respeito a todas. Todas elas me instigam, desde os ritos afros que espelham o Brasil até a rica liturgia católica e sua milenar tradição. Frequentei cultos da minha igreja (Metodista) até os doze anos. Tenho o maior prazer em acompanhar manifestações religiosas que se originam no povo. Foi isto que senti ao atender o convite do André, uma pessoa especial que faz-nos acreditar em quem vive nesta cidade.
Na segunda-feira, estive na João Pessoa acompanhando a Mãe Líbia. Os caminhos estão todos abertos. Saiam da frente.
Férias
Agora, meus amigos, férias. Dez dias entre o nada e a coisa alguma. Em caso de enxurrada, mandem mantimentos e gêneros de primeira necessidade (carlton, cerveja e isqueiro). Até breve. Se puderem, olhem o meu infame blog, cujo endereço está lá em cima da coluna e acabo de esquecer. Além desta coluna, outros textos estão por lá, até sobre o Tom Cruise e sobre um suplente do PMDB empregado na Prefa.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
As últimas de Tom Cruzes
Ministro Tarso Genro afirma que não vai liberar Tom Cruzes para os Estados Unidos. Não adianta o Obama reclamar.
Tom Cruzes no Brasil. Êta nóis! No último domingo o rapaz almoçou em dois restaurantes em três horas, batendo inapelavelmente meu recorde na cidade maravilhosa.
O máximo que consegui foi percorrer o Bracarense, o Jobi e Diagonal, todos no Leblon, em cinco horas, mas Tom Cruzes teve desempenho melhor, porque almoçou duas vezes, enquanto eu comi apenas uma empadinha de camarão e um bolinho de bacalhau. Para piorar, o líquido que tomei não era água e em vez de hidratar, tonteou, o que me impediu de executar minha proverbial performance.
Tom Cruzes escolheu o Porcão, de Ipanema, para almoçar. Porcão é o paraíso da classe média emergente carioca, onde servem desde vaca até ratão do banhado, no melhor estilo “se mexeu a gente está assando” que nos caracteriza nesta ponta do Brasil. Uma vez acho que vi dois Somalis espetados e assados por lá, para regozijo de uma mesa de empresários gordinhos que comiam às pampas.
Depois de dizimar uma manada de Gnu africano no Porcão, Tom Cruzes rumou ao Fasano, hotel metido à besta localizado na Vieira Souto, já quase no Arpoador. Fico imaginando o que este rapaz comeu depois da pajelança no Porcão. Não tem comida em Los Angeles não? Eles adotaram algum filho africano?
O restaurante deste hotel é tão chique que não me permitiram nem passar na frente quando estive por lá. Mas não posso tirar a razão dos seguranças. Se me deixassem chegar até o distinto recinto, certamente eu pediria um chopps e uma porção de violinha ‘pra dois’.
Estou pensando em aderir a Cientologia, religião esquisitona de Tom Cruzes, pra ver se consigo misturar espeto corrido do Porcão com lagosta ao molho de amora do Fasano, sem vomitar.
Isto é que eu chamo de Larica, meu filho.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Verão embaixo d'água
Não bastassem a proximidade do carnaval, as enxurradas, os flagelos, o BBB, a novela “Porquinho das Índias”, este calor selvagem e ainda temos que aturar as histórias de quem vai pra Capão e acha que todos querem saber sobre Capão.
Estes tropicais são engraçados. Voltam do litoral cheio de pulseirinhas de camelô, brincos de gosto duvidoso e trancinhas na cabeça, como se dissessem que todos nós que ficamos derretendo no asfalto estamos por fora, pelo menos por fora dos paramentos estranhos. E as gírias? Todo novo verão aparecem gírias novas aqui em Guaíba e Porto Alegre que são repetidas até abril pela turma que acha que em Tramandaí existe oceano Atlântico e conselho da língua portuguesa.
Eu sei como é. O cara aluga uma casa de dois quartos para dezessete pessoas no carnaval de Laguna e volta dizendo que estava uma maravilha. Peralá, comigo não cabeção. A única vez que estive no carnaval em Laguna não beijei ninguém (por pura incompetência, é verdade) fui assaltado e tomei um trago de whisky ruim, o que me causou um péssima impressão dos destilados e do carnaval, especialmente o de Laguna, me obrigando a aderir ao chopp irremediavelmente para sempre, o que é bem irremediável mesmo.
Mas quando eles voltarem, em março, é só fazer de conta que você está ouvindo. Dura só duas semanas e logo depois eles já estarão vivendo a dura realidade guaibense. Enquanto isto, moradores de nossa cidade passaram os últimos dias tirando água de dentro de suas casas. A vida é muita injusta. Nós aqui, praguejando o verão e as inundações, e o pessoal tomando banho de água marrom em Capão.
Só falta alguém me avisar que um dia todos vamos morrer e que eu não vou tocar harpa no céu.
A coluna da semana que está saindo no jornal
Não que eu queira atrapalhar as merecidas férias dos ex-secretários Menegotto e Jorge Santos, que, acredito, já pensavam estar livres desta coluna. Mas é que eu tenho um dom de descobrir coisas públicas e uma mania de repassar as minhas descobertas aos leitores, por ser esta a minha atividade.
No dia 26 de dezembro, no apagar das luzes da administração já finda, os secretários Victório Menegotto e Jorge Santos receberam polpudas boladas referentes à ‘férias atrasadas’. O inusitado é que foram apenas os dois, entre 14 secretários, a receber a última bolada da administração Maneca Stringhini. Por três férias atrasadas, Menegotto recebeu um cheque de R$ 47.701,00. Já Jorge Santos deu mais sorte: Foi premiado com o módico valor de R$ 69.902,00, referente a quatro férias não tiradas.
Pelo que averiguei, o pagamento é legal, apesar de parecer uma afronta. Como o cargo é político, não se enquadra na lei trabalhista que, como todos sabem, não permite o acúmulo de duas férias. Com esta prerrogativa, idas e vindas a Imbé e Rondinha nos finais de semana serviram como garantia antiestresse aos ex-secretários, enquanto acumulavam uma sadia poupança para os dias de vacas magras.
Até aqui, não estou fazendo nenhum julgamento sobre a questão. Apenas divulgo uma decisão da administração pública, paga com dinheiro público e, portanto, pública. Também não se trata de fofoca ou invasão da vida alheia, pois se o dinheiro não fosse público e pago com sacrifício pela população guaibense, não seria notícia, pois toda empresa tem o direito de pagar o que quiser para seus funcionários, desde que este dinheiro não seja oriundo de impostos e tributos que pagamos, como no caso citado. Mas se uma Prefeitura destina R$ 117.603,00 reais para indenizar dois de seus funcionários, a população deve saber quanto eles custaram aos nossos cofres e tirar suas conclusões se valeu a pena.
O que eu penso da situação? Primeiro um administrador nunca deveria permitir que um subordinado seu acumulasse férias, ainda mais quatro. E, se acumulou, com o tal cargo político que detinham, deveriam sair sem receber nada, por amor a camiseta que seja.
O leitor que tire suas conclusões agora. Estes R$ 117.603,00 foram bem empregados pela Prefeitura? A minha missão, que é informar as coisas públicas que algumas administrações preferiam que não fossem conhecidas, está cumprida.
Quantos valos a gente não poderia desentupir com estes R$ 117 mil?
Em tempo: Todas as informações publicadas nesta coluna foram repassadas pela própria Prefeitura Municipal, a pedido deste colunista.
Ponte
Agora vai. Inauguraram a maquete da nova ponte sobre o lago Guaíba. Descobri que não posso transitar de automóvel sobre a maquete, o que é realmente uma pena. Mas agora falta pouco: Já temos a maquete.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Domingão na Beira
Como todos os domingos, a barra pesou logo que a noite caiu. Por sorte fomos embora antes, e logo depois aconteceu o que sempre acontece na esquina da rua 14 de outubro com João pessoa (em frente ao píer): Briga de gangues adolescentes.
O saldo do domingão em Guaíba: Um tiro na boca de um jovem, no meio de gente que por ali passava. Gritaria, correria, etc, etc.
O incrível é que todos os domingos as cenas de barbárie se repetem. Se não houver uma presença permanente da Brigada Militar no local estaremos condenados a vermos violência explicita se repetir. É impressionante o que acontece nas noites de domingo no Centro da cidade. Quando a madrugada chega, jovens sobem a São José em direção a suas respectivas vilas, a poucos metros do quartel da BM, e chutam todas as portas dos estabelecimentos comerciais. Não há uma só porta da principal rua da cidade que o vandalismo não consegue atingir.
Já passou da hora das autoridades policiais da cidade elaborarem uma estratégia de combate, que deve ser perene e não pontual, antes que se perca totalmente o controle da situação. Se já não perdemos. Por enquanto a delinqüência segue vencendo diante da complacência.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Plágio
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A coluninha da semana publicada no jornal O Guaíba
Os últimos quatro meses têm sido de fortes emoções para quem acompanha o noticiário da maior empresa do município. Não fosse a Aracruz a grande empresa do subúrbio e estaríamos assoviantes e desinteressados. Mas confesso que tenho me preocupado muito com os destinos, os recuos e as incertezas de nossa grande provedora.
Quem diria que enquanto comíamos aquele coquetel de camarão (sim era para comer e não para tomar a água) ao som de Luis Fernando Veríssimo, numa agradável tarde de meados de 2008, nuvens negras se formariam no céu guaibino anunciando o mau tempo. Ouviu-se muitas teses desde então, vindas, principalmente, de quem não entende nada do assunto. De minha parte, um simplório cronista da periferia, que pouco entende de coisa alguma, coube-me desconfiar de tão céleres retomadas preconizadas por um otimismo infantil, ou com base apenas no desejo.
Sobre as teses, viu-se de tudo, coisas como: ‘O ex-diretor financeiro, Mr. Zagury, comeu brigadeiro de batuque’... ‘Tudo isto não passa de uma armação para os grupos estrangeiros assumirem de vez a produção de papel no mundo’... ‘Um padre rogou uma praga que amaldiçoou a cidade’ (nota do colunista: deve ter lá seus motivos. Vai ver não aguentou a bagunça e a preocupação com a vida alheia, esportes muito praticados por aqui)... ‘Enterraram um sapo embaixo da Prefeitura’... ‘O prefeito é pé frio’... ‘É castigo’... ‘É culpa do Olívio Dutra’, e por aí vai.
O que me irrita é ser insignificante diante de tantas decisões que mexem com a vida de milhares de guaibenses e de centenas de empresas da cidade e, por conseqüencia, milhares de trabalhadores da região, região esta que está entre as que mais demitiu no país nos últimos meses.
Sem eufemismos e subterfúgios, não entre nesta história de fusão e gestão partilhada. A Votorantim, em bom português, comprou a Aracruz. São eles que mandam agora e quem poder se segurar nos pelegos, que se agarre. Já montei um novo altar na minha humilde residência, que depois da suspensão do projeto, decaiu e perdeu o título de Loft, voltando a ser o puxadinho emprestado de sempre. Será neste altar que passarei a venerar o nosso novo chefe, que agora atende pelo sublime nome de Votorantim.
Como diz a Denise, vida de gado não é fácil.
Relaxamento
O problema de morar numa cidade desorganizada, para não dizer relaxada, é que quem se insurge contra flagrantes descumprimentos da saudável vida social, que pressupõe limites e respeito ao direito alheio, é xingado e odiado pelos trogloditas. Em Guaíba reclamar de som alto, de sujeira das ruas, do estado das calçadas, de pessoas de má-criação sem a mínima noção de profissionalismo, te leva ao posto de inimigo número dos mal educados. Por mim tudo bem, mas espero ter como aliado o poder público pelos próximos quatro anos, para fazer trabalhar em silêncio quem deve trabalhar em silêncio, para fiscalizar quem passa dos limites no som, para reorganizar uma cidade que cresceu desordenada e despreparadamente.
Linda ela é. Só falta ajudarmos um pouquinho.
Brasília
Faz muito bem o Prefeito em viajar a Brasília para buscar verbas para o município. É lá que elas estão. Viagem a Brasília, principalmente sem pernoite, como foi o caso, sempre são proveitosas. O que sempre critiquei foram os congressos legislativos em Camburiú, Foz do Iguaçu, Salvador... que nada mais são do que a velha pouca vergonha financiada com dinheiro público.
Quem é Romualdo Furtado? E quem se interessa por isso?
Romualdo Furtado não é ninguém, mas incomoda. Colorado, pertencente a classe média baixa escorregando para a pobreza, é apreciador de bons charutos, dos bares do Leblon, de carros velozes e modernos, da boa vida no Jetset guaibino, de praias caribenhas e de constantes viagens pela Europa, só que não tem dinheiro para nada disso.
É colunista do jornal ‘O Guaíba’, em Guaíba, Rio Grande do Sul, cidade onde amealhou muitos inimigos e processos. É saudado pelas ruas da cidade com gentis palavrões e, segundo última estimativa, possui três leitores, a quem paga religiosamente pela leitura.
E Macondo, que dá título a este infame blog, é a cidade fictícia criada pelo genial Gabriel Garcia Marques, palco de ‘Cem Anos de Solidão’, cidade pequena, entremundos, assolada pelas convulsões econômicas e sociais, tal como a minha Guaíba e seus ciclos de prosperidade (charque, arroz, celulose) e seus recuos históricos. Apesar de ser um diário, é pouco provável que este blog seja atualizado periodicamente. Talvez nunca seja escrito. Depende do nível de preguiça.
Boa sorte a todos!
