Vida longa aos novos colonizadores
Os últimos quatro meses têm sido de fortes emoções para quem acompanha o noticiário da maior empresa do município. Não fosse a Aracruz a grande empresa do subúrbio e estaríamos assoviantes e desinteressados. Mas confesso que tenho me preocupado muito com os destinos, os recuos e as incertezas de nossa grande provedora.
Quem diria que enquanto comíamos aquele coquetel de camarão (sim era para comer e não para tomar a água) ao som de Luis Fernando Veríssimo, numa agradável tarde de meados de 2008, nuvens negras se formariam no céu guaibino anunciando o mau tempo. Ouviu-se muitas teses desde então, vindas, principalmente, de quem não entende nada do assunto. De minha parte, um simplório cronista da periferia, que pouco entende de coisa alguma, coube-me desconfiar de tão céleres retomadas preconizadas por um otimismo infantil, ou com base apenas no desejo.
Sobre as teses, viu-se de tudo, coisas como: ‘O ex-diretor financeiro, Mr. Zagury, comeu brigadeiro de batuque’... ‘Tudo isto não passa de uma armação para os grupos estrangeiros assumirem de vez a produção de papel no mundo’... ‘Um padre rogou uma praga que amaldiçoou a cidade’ (nota do colunista: deve ter lá seus motivos. Vai ver não aguentou a bagunça e a preocupação com a vida alheia, esportes muito praticados por aqui)... ‘Enterraram um sapo embaixo da Prefeitura’... ‘O prefeito é pé frio’... ‘É castigo’... ‘É culpa do Olívio Dutra’, e por aí vai.
O que me irrita é ser insignificante diante de tantas decisões que mexem com a vida de milhares de guaibenses e de centenas de empresas da cidade e, por conseqüencia, milhares de trabalhadores da região, região esta que está entre as que mais demitiu no país nos últimos meses.
Sem eufemismos e subterfúgios, não entre nesta história de fusão e gestão partilhada. A Votorantim, em bom português, comprou a Aracruz. São eles que mandam agora e quem poder se segurar nos pelegos, que se agarre. Já montei um novo altar na minha humilde residência, que depois da suspensão do projeto, decaiu e perdeu o título de Loft, voltando a ser o puxadinho emprestado de sempre. Será neste altar que passarei a venerar o nosso novo chefe, que agora atende pelo sublime nome de Votorantim.
Como diz a Denise, vida de gado não é fácil.
Relaxamento
O problema de morar numa cidade desorganizada, para não dizer relaxada, é que quem se insurge contra flagrantes descumprimentos da saudável vida social, que pressupõe limites e respeito ao direito alheio, é xingado e odiado pelos trogloditas. Em Guaíba reclamar de som alto, de sujeira das ruas, do estado das calçadas, de pessoas de má-criação sem a mínima noção de profissionalismo, te leva ao posto de inimigo número dos mal educados. Por mim tudo bem, mas espero ter como aliado o poder público pelos próximos quatro anos, para fazer trabalhar em silêncio quem deve trabalhar em silêncio, para fiscalizar quem passa dos limites no som, para reorganizar uma cidade que cresceu desordenada e despreparadamente.
Linda ela é. Só falta ajudarmos um pouquinho.
Brasília
Faz muito bem o Prefeito em viajar a Brasília para buscar verbas para o município. É lá que elas estão. Viagem a Brasília, principalmente sem pernoite, como foi o caso, sempre são proveitosas. O que sempre critiquei foram os congressos legislativos em Camburiú, Foz do Iguaçu, Salvador... que nada mais são do que a velha pouca vergonha financiada com dinheiro público.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
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Romu, não sei se estou catalogada nos três leitores, mas tô aqui só pra dizer que lembrei do endereço e que no teu blog tu tens, pelo menos, uma leitora! Como podemos acertar o pagamento?
ResponderExcluirHei!